Nossos Processos Produtivos

Gestão Industrial

A Fibria produziu, em 2017, 5,6 milhões de toneladas de celulose nas três unidades da companhia:Aracruz (ES), Jacareí (SP) e Três Lagoas (MS). Esse volume leva em consideração também a produção da Veracel (BA), de 1,1 milhão de toneladas, metade da qual (551 mil toneladas) pertence à Fibria. A Veracel é uma empresa de operação conjunta entre a Fibria e a Stora Enso.

Em agosto, entrou em operação a segunda linha da unidade de Três Lagoas.O investimento de 7,3 bilhões de reais faz dessa planta a maior fábrica de celulose do mundo e elevou a capacidade total de produção da Fibria de 5,3 milhões de toneladas/ano para 7,25 milhões de toneladas/ano.

Desde o início da obra, em maio de 2015, o projeto – chamado de “Horizonte 2” – se destacou pela antecipação da entrega da segunda linha abaixo do orçamento inicial. Tal desempenho foi fruto de um planejamento detalhado e cuidadoso, da forte disciplina na execução e do relacionamento estreito com fornecedores e prestadores de serviços, o que nos permitiu superar imprevistos e dificuldades inerentes a uma obra desse porte sem impactos negativos nos custos e no cronograma.

Da mesma forma, realizamos o projeto Horizonte 2 com altos índices de segurança — zero fatalidades e taxa de acidentes abaixo dos melhores padrões internacionais — e sem registro de conflitos trabalhistas. Podemos afirmar ainda que iniciativas desenvolvidas pela Fibria, em parceria com a comunidade, entidades e autoridades locais, minimizaram os impactos sociais e ambientais negativos provocados por obras de grande porte. Mais do que isso, deixam um legado positivo para Três Lagoas e seu entorno.

Melhor que o esperado

Ao entrar em operação, no dia 23 de agosto de 2017, a segunda linha de Três Lagoas estava três semanas adiantada em relação ao prazo anunciado (que já incorporava um avanço sobre os benchmarks da companhia e da indústria de celulose). Desde então, a nova fábrica vem batendo todas as previsões de desempenho inicial — a chamada curva de aprendizagem de uma instalação nova — com índices de produção, qualidade, consumo de químicos e geração de energia acima do esperado.

No final de 2017, a produção de celulose da nova linha de Três Lagoas já tinha chegado a

88% da meta

prevista para ser alcançada em maio de 2018.

Esse desempenho inicial acima da curva resultou num volume produzido

559mil toneladas,

17% maior do que a produção estimada para 2017.

Para alcançar esse desempenho, algumas condições foram cruciais. Por exemplo, a fase final da montagem — o chamado comissionamento, quando são postos em operação equipamentos e máquinas recém-instalados e testada sua perfeita integração — foi realizada por inteiro, sem queimar etapas em consequência de eventuais atrasos anteriores.

Além disso, profissionais com grande bagagem e conhecimento foram levados a Três Lagoas, somando sua experiência às equipes formadas para a nova operação. Essa mescla entre empregados oriundos de Aracruz (ES) e Jacareí (SP) e parceiros seniores dos fornecedores reforçou tanto a qualificação do novo time contratado quanto o desenvolvimento técnico das pessoas convocadas nas outras unidades. Assim, o empreendimento se tornou um projeto da companhia inteira, não só de uma unidade.

Três Lagoas (MS)
Foto: Marcio Schimming

Correndo atrás, sem prejuízo

Mesmo o planejamento mais exaustivo e a execução mais disciplinada estão sujeitos a certos imprevistos. A segunda linha de Três Lagoas contribuiu com alguns exemplos. Num deles, uma lamela — peça de aproximadamente 80 toneladas, parte integrante da Evaporação — caiu ao ser içada e teve de ser trocada. Encomendada uma peça nova ao fabricante, na Hungria, foi necessário trazê-la de avião e redesenhar sua sequência de montagem, sem comprometer o cronograma final. Além disso, exaustivas reuniões e negociações tiveram de ser feitas para que o resultado fosse positivo.

Em outro caso, a montagem da caldeira de recuperação da nova linha — equipamento central numa planta de celulose — começou a atrasar e a ameaçar a data da partida do empreendimento. Para encontrar soluções e resolver o problema, a Fibria, o fornecedor e a empresa responsável pela montagem, revisaram o planejamento, reforçaram os times de monitoramento e gerenciamento e passaram a fazer reuniões diárias a fim de supervisionar as atividades. O atraso foi revertido após meses de intenso trabalho, onde cada avanço foi medido milimetricamente.

De Volta à Estabilidade

O ano de 2017 foi marcado não só pela entrada em operação da nova linha de celulose, mas também pela recuperação da estabilidade das operações industriais nas três unidades da Fibria. Esse índice, que sinaliza a capacidade de uma fábrica manter um ritmo regular de desempenho, sem vales e picos nos volumes de produção, tinha sofrido pequena queda. Em 2017, foi registrada uma importante elevação, que sinaliza um retorno aos níveis de estabilidade operacional mantidos historicamente pela companhia.

Tal estabilidade ajuda a alcançar as metas de produção dentro dos custos estimados, além de favorecer uma menor emissão de poluentes e reduzir os riscos operacionais e de segurança. Para chegar ao resultado positivo na estabilidade operacional em 2017, foi feito um remanejamento de pessoas entre as três plantas e seus diversos times. Além disso, as lideranças intensificaram o acompanhamento de campo das operações, como forma de manter vivo o compromisso da Fibria com a excelência operacional.

Eficiência Energética e Resíduos

Gastar menos combustível é ótimo tanto para as contas da companhia quanto para o Planeta. Gerar menos resíduos está em linha com a meta de longo prazo da Fibria de reduzir em 91%, até 2025, o despejo de resíduos sólidos em aterros industriais ou de terceiros. Um único projeto, que teve início em outubro de 2017, na unidade de Jacareí (SP), possibilita ambas as reduções: a secagem do lodo biológico, resíduo do processo de produção da celulose, e a utilização do lodo seco resultante como combustível na caldeira de biomassa da unidade, para a geração própria de energia elétrica.

Estima-se que o projeto possa converter todo mês cerca de 4.200 toneladas de lodo biológico — que deixam de ser enviadas para um aterro terceirizado — em 800 toneladas de lodo seco, que serão queimadas na caldeira de biomassa. O ganho é duplo. Elimina-se o alto custo — cerca de R$ 390 mil mensais — , o impacto ambiental do aterro e as emissões de metano, outro gás de efeito estufa, muito mais potente que o CO2, e ganha-se uma nova fonte de combustível para a unidade, com um investimento de R$ 25 milhões.

O secador de lodo biológico instalado na unidade de Jacareí é o maior de seu tipo no mundo e o primeiro a ser usado na indústria de papel e celulose no Brasil; dois equipamentos semelhantes estão em uso na Europa, em instalações municipais de tratamento de efluentes.

Em Três Lagoas (MS), uma estratégia semelhante tem execução distinta. Cerca de 2.500 t/mês do lodo biológico gerado no tratamento dos efluentes das linhas de produção também são utilizadas como combustível na caldeira de biomassa. Nessa planta, no entanto, o resíduo não precisa passar por secagem prévia: por se tratar de uma caldeira de última geração, pode ser queimado em seu estado original, com teor de água mais elevado.

O uso do lodo biológico como combustível dará um impulso importante em direção à meta de longo prazo da Fibria. Para isso, estamos trabalhando para diminuir a geração de 60,7 kg de resíduos por tonelada de celulose produzida (ano base 2011) para 5 kg de resíduos por tonelada de celulose produzida em 2025, a partir da redução da disposição de resíduos sólidos em aterro industrial próprio ou de terceiros em todas as unidades industriais.

Os benefícios dessas iniciativas são:

  • redução dos impactos e riscos causados por aterros industriais;
  • aumento da ecoeficiência de nossos processos de produção;
  • redução dos custos de eliminação de resíduos e substituição de suprimentos.

Resíduos Sólidos Industriais Reaproveitados

Em 2017, reciclamos 7,4 mil toneladas de lama de cal a mais do que em 2016. Desenvolvemos, também, um cliente da área de cerâmica que passou a comprar nossa lama de cal.

Além disso, geramos 4,8 mil toneladas a mais de areia nas caldeiras em 2017. Estes resíduos foram integralmente reciclados, gerando aumento na reciclagem com relação a 2016.

Outro número que complementa o aumento na reciclagem em relação ao ano de 2016 trata-se da venda de rejeitos (branco e marrom). São os rejeitos fibrosos que saem do processo em determinado momento, um nas peneiras do digestor (Rejeito marrom) e o outro na secagem durante a passagem pelo filtro de fibras (rejeito branco). Essas fibras são vendidas para fábricas de papéis para utilização na fabricação de papéis menos nobres. O ano passado vendemos 753 toneladas a mais em relação a 2016.

Considerando-se todos os fatores, a Fibria tem uma matriz energética sustentada em recursos naturais renováveis: 95% da energia consumida vem da madeira e do licor negro (subproduto da produção de celulose) e de 4% a 5% vem do gás natural, menos carbointensivo do que o óleo. Esses números resultam numa matriz energética que tem de 93% a 95% de recursos naturais renováveis. Um Comitê de Eficiência Energética gera a carteira de projetos de ganho de eficiência energética da companhia e administra o aprendizado e o intercâmbio das melhores práticas entre as unidades.

Outros Programas

(de redução de resíduos e/ou eficiência energética)

+ em Jacareí: melhorias em processos e na operação de duas caldeiras de recuperação, uma caldeira de biomassa e três turbinas a vapor, com ganho de 7,5 megawatts/hora em eficiência energética; este programa está sendo replicado, no que for tecnicamente viável, em Aracruz e Três Lagoas.

Índice de Desempenho Ambiental (IDA)

Todos os dados disponíveis sobre a desempenho ambiental das operações da Fibria são retratados por meio do IDA — ferramenta que leva em conta cerca de 70 parâmetros de medição e controle de indicadores, como água e resíduos, divididos em três categorias: gestão, controle e prevenção.

Na Fibria, a variação do IDA faz parte dos critérios de remuneração variável de todo o nível gerencial e operacional da área industrial da empresa — um passo ainda incomum em outras fábricas e setores industriais. O IDA consolidado da Fibria em 2017 foi de 95,1% e leva em conta a eficiência ambiental das três unidades industriais.

Indicadores do Índice de Desempenho Ambiental*

Aracruz Jacareí Três Lagoas Total
2015 2016 2017 2015 2016 2017 2015 2016 2017 2015 2016 2017
IDA Geral 94,5 93,2 93,9 95,4 94,3 96,1 95,5 95,8 96,1 94,2 95,1
Gestão 98,9 97,9 96,8 94,6 93,6 96,8 96,9 93,7 96,9 95,8 96,8
Prevenção 92,5 94,6 92,5 96,8 96,8 100,0 98,0 93,7 93,7 94,9 94,5
Controle 92,0 73,6 92,5 93,6 92,5 91,4 93,7 98,0 96,9 84,7 93,8

* Os valores da tabela foram arredondados.

Logística da Celulose

O início da produção da segunda linha de Três Lagoas (MS) criou grandes desafios, em 2017, para a operação da logística de celulose da Fibria, que cuida da movimentação, do armazenamento e do transporte do produto acabado entre as fábricas e os portos de embarque para exportação. Um estudo comparativo concluiu que o Porto de Santos era a melhor alternativa como porta de saída para a celulose da nova linha. Entretanto os mais de 900 quilômetros entre Três Lagoas e o porto paulista apresentavam um desafio particular não só pela distância como também pelas comunidades que seriam impactadas ao longo do trajeto.

A solução encontrada combina os modais rodoviário e ferroviário. A celulose produzida na nova fábrica é embarcada em caminhões e levada até o Terminal Intermodal de Aparecida do Taboado, a 170 quilômetros de Três Lagoas, na divisa entre Mato Grosso do Sul e São Paulo. De lá, a celulose é colocada em vagões e vem, por ferrovia de bitola larga até o Porto de Santos, de onde é embarcada em navios e exportada.

Em Santos, a partir de 2018 a Fibria passará a contar com o Terminal do Macuco (T32) para realizar a movimentação de suas cargas de celulose. A Fibria obteve o direito de operá-lo no final de 2015 ao vencer o leilão público realizado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O contrato de concessão é válido até 2040 (prorrogáveis por mais 25 anos). Totalmente reconstruído pela Fibria em dois anos, o terminal foi entregue no final de 2017 e sua operação teve início em março de 2018, quando o navio Saga Horizon partiu com 5.500 toneladas de celulose rumo à Europa.

Celulose em Portocel, Aracruz (ES)
Foto: Marcio Schimming

A entrada do T32 na cadeia logística de exportação da Fibria desafogará as operações da companhia. Por conta do adiantamento na obra, a segunda linha de Três Lagoas foi finalizada antes que a solução logística planejada estivesse inteiramente implantada. Isso ocorreu por motivos que fogem ao controle da Fibria, estando relacionados à demora na entrega, à companhia, do novo terminal em Santos para o início das obras.

Esse problema circunstancial foi reforçado pelo desempenho inicial acima da curva da nova linha de produção no Mato Grosso do Sul — que entrega para expedição volumes de celulose maiores que o previsto no planejamento —, e foi resolvido por medidas contingenciais, enquanto o T32 não começava a operar.

Outros Destaques

(de soluções logísticas em 2017)

+ navios cativos: para atender à necessidade de escoar o aumento de produção, cinco novos navios, com capacidade aproximada de 55 mil toneladas cada um, foram contratados para uso exclusivo da Fibria. As embarcações estão sendo construídas e, a partir de 2019, estarão prontas para navegar por todo o mundo levando nossos produtos.

+ em Três Lagoas: sensível melhora no escoamento da produção da linha 1 da fábrica, feita por meio de outro corredor rodoviário/ferroviário até o porto de Santos (de bitola métrica – mais estreita do que a métrica internacional no trecho de ferrovia). Os volumes transportados cresceram de 55 mil toneladas/mês para até 77 mil toneladas/mês.

+ em Jacareí: aumento do volume de produção entregue no mercado brasileiro por transporte rodoviário, combinado com bom aproveitamento das oportunidades de uso do modal ferroviário também no mercado interno.